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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Painéis sobre migração - PLANO DE AULA

Objetivo(s) 
- Identificar os fluxos migratórios internos no Brasil e no município.
- Compreender e analisar as transformações no espaço geográfico.
- Avaliar a interação cultural provocada pelas migrações.
Conteúdo(s) 
Migração interna e cultura.

Ano(s) 
Tempo estimado 
Oito aulas.
Material necessário 
Mapas do Brasil com fluxos migratórios do Geoatlas, da Editora Ática, máquina fotográfica, cartolinas, canetas coloridas e papel.
Desenvolvimento 
1ª etapa 
Para que iniciem uma investigação sobre as migrações no Brasil e, ao fim do trabalho, organizem painéis sobre o tema, lance algumas questões para os alunos. O que leva uma pessoa a abandonar sua terra e buscar outro lugar? Quais são os fluxos migratórios atuais e suas direções? As hipóteses e as justificativas devem ser registradas por escrito e socializadas.
2ª etapa 
Oriente a consulta aos mapas para que a turma confirme suas ideias ou as corrija. Peça também que todos comparem os mapas a fim de verificar que, entre as décadas de 1960 e 80, predominaram os fluxos de longa distância, em especial de nordestinos para o Sudeste e de sulistas rumo ao Centro-Oeste e ao Norte e, a partir do fim da década de 1980 e início dos anos 1990, os movimentos passam a ser multidirecionais e indicam retorno.
3ª etapa 
Peça que todos levantem hipóteses justificadas sobre como o município em que vivem é caracterizado em relação à migração. É a chegada ou a partida de pessoas que marca a história local? Quais interações culturais são motivadas por isso? Há convívio com quem vem de fora? E preconceito?
4ª etapa 
Oriente uma pesquisa de campo sobre a interação cultural na cidade. Acompanhe a turma na busca por placas com nome de ruas, avenidas e praças que revelem a influência de imigrantes, além de estabelecimentos que vendam produtos típicos de outras localidades e centros culturais regionalistas. Cada achado deve ser fotografado e registrado por escrito.
5ª etapa 
Em grupos, os estudantes devem entrevistar os imigrantes da cidade, levantando itens como nome, região onde mora, ocupação, lugar de origem, ano e motivo da migração. Já sofreram discriminação? Organizam encontros e festas para constituir ou restabelecer seus laços sociais e culturais? Depois, devem falar com os não-migrantes para saber qual a relação eles têm com quem vem de fora e se incorporam seus traços culturais.
6ª etapa 
Hora de montar os painéis. Os grupos devem selecionar as fotos feitas anteriormente e trechos das entrevistas que revelem desde quando e como a migração está presente no território, quais são as interações culturais e como a população local se relaciona com quem vem de fora.
Avaliação 
Produto final 
Painéis sobre migração.

Durante o projeto, avalie, nas falas e nas produções dos alunos, se eles compreenderam como os fluxos migratórios marcaram o país, quais são os atuais fluxos e como os imigrantes do município se relacionam com a população local. Por fim, peça que façam, por escrito, uma análise comparativa justificando as mudanças dos fluxos migratórios entre 1960 e os dias de hoje.
Flexibilização 
Os alunos com deficiência visual devem fazer seus registros em braile ou trabalhar em dupla com um colega que não tenha deficiência.
Com barbante, cola plástica e outros materiais que criem relevos, destaque os fluxos e os contornos dos mapas. Lembre-se também de fazer as legendas correspondentes.
Gravadores de voz ou celulares com esse recurso podem ser usados para registrar as entrevistas, que depois serão transcritas em braile.
Deficiências 
Visual

Via: Gente que educa

Os fluxos migratórios no Brasil

Para conhecer o fenômeno da migração interna em terras brasileiras, a turma precisa aprender sobre o perfil da população e as interações culturais


Foto: Ronaldo Kotscho
PODER SULISTA Costumes gaúchos marcam o oeste do país por causa da migração dos anos 1970. Foto: Ronaldo Kotscho
A todo momento, pessoas deixam sua cidade de origem rumo a outras para ficar permanentemente ou só morar por um tempo (determinado ou não). São os migrantes, que aqui, no Brasil, representam 40% da população, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora os fluxos migratórios tenham sido mais intensos nas décadas de 1960 e 70, a circulação ainda é grande: recentemente, 10 milhões de brasileiros (5,4% da população) se mudaram para outro lugar.
Você provavelmente já recebeu alunos com esse perfil. Como abordou o assunto? Os livros didáticos geralmente resumem o conteúdo, apegando-se a estatísticas e aos destinos que ficaram famosos no passado. Mas isso não é suficiente para abordar as transformações que ocorrem na sociedade. "É uma pena, mas muitas vezes as características da migração, principalmente no âmbito cultural, são tratadas de forma improvisada na sala de aula", analisa Sueli Furlan, geógrafa da Universidade de São Paulo (USP) e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.


Retorno e perfis solitários caracterizam o migrante atual

Foto: Irmo Celso
MARCAS DO SUDESTE Estabelecimento comercial em Rondônia mostra quem participou da colonização do estado. Foto: Irmo Celso
Revisitando o histórico dos fluxos migratórios, é possível compreender que eles se esgotam com o tempo. A marcha para o oeste do país, nos anos 1970, era formada sobretudo por sulistas em busca de fronteiras agrícolas e a fim de colonizar estados como Rondônia, mas perdeu força gradualmente. "E, com a concentração de terras e a organização de pastagens, estados como Mato Grosso deixaram de representar boas oportunidades depois dos anos 1980", conta José Marcos da Cunha, demógrafo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O volume de ida para o estado de São Paulo também diminuiu consideravelmente entre 1995 e 2000: os imigrantes (assim denominados os que chegam) eram 1,2 milhão e, entre 1999 e 2004, passaram a somar 870 mil, segundo dados obtidos na Pnad. Mas muitas pessoas também fizeram o caminho inverso no mesmo período: foram 105 mil emigrantes (assim denominados os que saem) a mais que imigrantes.

Conforme explica Fausto de Brito, demógrafo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o movimento de pessoas faz parte da dinâmica das sociedades. É normal, portanto, surgirem novos fluxos (veja o mapa abaixo). Atualmente, o movimento que mais chama a atenção é o de volta aos locais de origem. Muita gente, por exemplo, está deixando o Sudeste e voltando para o Nordeste: o crescimento do volume de migrantes nesse fluxo foi de 19% entre os períodos de 1995-2000 e 1999-2004. "É um retorno expressivo, nunca visto antes", diz Cunha. As hipóteses apresentadas para justificar esse movimento estão relacionadas à redução e terceirização do emprego na indústria no Sudeste, aos novos focos de crescimento econômico no Nordeste e aos programas de transferência de renda do governo federal.
Ilustração: Sattu
Clique para ampliar Principais fluxos migratórios por grandes regiões do Brasil, de 1999 a 2004*. Ilustração: Sattu
A lista de novidades inclui movimentos que ocorrem dentro de alguns estados, como o Paraná: sua atratividade está concentrada na área metropolitana de Curitiba. E, quanto aos deslocamentos interestaduais, vale destacar o Pará, o único na região Norte que mantém um volume crescente de imigrantes originários do Nordeste e de estados nortistas.

Outra mudança é a do perfil de quem sai. Brito explica que antes a família toda migrava. Agora, quem deixa sua terra tende a ir sozinho. "Problemas de moradia, oferta de emprego e violência contribuem para isso", comenta. E as intenções também mudaram: o emigrante de agora almeja ficar fora o tempo suficiente para ganhar um bom dinheiro.

Em classe, você pode abordar essas questões a fim de que os alunos percebam como e por que tais mudanças ocorrem. A conversa pode ser fomentada por histórias de pessoas que migraram dentro do país (no passado e recentemente). Quando e de quais fluxos participaram? E o que as motivou a sair em busca de novas moradas?

*Fonte: FIBGE, PNAD 2004. Tabulações especiais NEPO/UNICAMP

Como ocorrem as interações culturais

Foto: Lalo de Almeida
SABORES DO NORTE No Sudeste, uma das marcas dos nordestinos é a casa do norte, que vende carne seca. Foto: Lalo de Almeida
Quem muda de cidade leva um pouco de si na bagagem: o jeito de falar e de se vestir, gostos culinários e musicais... E, se retorna, não é mais o mesmo: traz de volta um pouco do lugar onde viveu. "Assim, ocorre uma reconstrução cultural com os elementos de origem e os novos", explica Sueli Furlan. Este é um ponto interessante para ser debatido em sala: como grupos diferentes se relacionam e se, de fato, mantêm contato (veja o projeto didático).

O choque entre culturas muito diferentes pode implicar o isolamento dos migrantes, que se fecham em guetos, para se manter firmes em sua identidade ou se proteger de preconceitos.

Além de ajudar os alunos a identificar e compreender essas interações, é importante promover reflexões sobre discriminação. Questione os estudantes a respeito do próprio comportamento: eles têm amigos vindos de outros lugares? E os que são migrantes? Como se relacionam com a população local?

Outro ponto a ser trabalhado é a capacidade do migrante de imprimir transformações aonde chega. Os gaúchos são famosos pelo poder de 'reterritorializar', reproduzindo a paisagem do Rio Grande do Sul por onde passam. Nortistas e nordestinos se notabilizam por instalarem as casas do norte, lojas que vendem produtos típicos de suas regiões. "Esse poder se deve a muitos fatores, como a classe social, a força dos laços de identidade e o tipo de participação política", explica Rogério Haesbaert, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Migração não é sinônimo de problema social

Foto: Liane Neves
SABORES DO SUL Na Bahia, a venda de erva-mate revela a presença de migrantes sulistas. Foto: Liane Neves
O senso comum diz que o movimento de pessoas em busca de novas oportunidades sempre causa desemprego e violência. Estudo realizado por José Marcos da Cunha e Cláudio Dedecca, que compara a relação entre migração e trabalho, mostra que não é bem assim. Nos anos 1960 e 70, os imigrantes garantiram a força de trabalho para a expansão da região metropolitana de São Paulo. Quando as taxas de desemprego começaram a subir em razão de crises econômicas, muita gente julgou que eram eles que tomavam as vagas dos paulistanos. Porém, a partir dos anos 1990, começou a redução do fluxo migratório e era o crescimento natural da população que aumentava a oferta de trabalhadores. Ideias como essas distorcem a imagem dos migrantes, gente que faz parte da construção da economia e da cultura do nosso país.

Via: Gente que educa

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Correntes Migratórias Para o Brasil

Dos cerca de 6 milhões de imigrantes recebidos pelo Brasil, 70% eram de origem portuguesa, espanhola e italiana. Entre os demais, destacaram-se os germânicos (alemães), os eslavos (russos, poloneses e ucranianos) e os asiáticos (japoneses e sírio-libaneses).
A vinda de portugueses foi mais ou menos contínua desde o século XVI, mas os imigrantes de outras nacionalidades, via de regra, chegaram aqui em fluxos bem definidos.
Na primeira metade do século XIX, predominaram as imigrações para o Sul do país. Toda a história do povoamento e desenvolvimento econômico dos estados dessa região está intima­mente relacionada com as levas de imigrantes europeus que para lá se dirigiram, destacan­do-se os alemães, eslavos e italianos.
Os alemães foram atraídos para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, graças à política de distribuição de pequenos lotes de terra adotada pelo governo federal; dedicaram-se inicialmente à atividade agrope­cuária e depois à industrial, como a têxtil, em Santa Catarina (Joinville, Blumenau, Brusque e Itajaí). Os eslavosconcentraram-se no Paraná (arredores de Curitiba) e dedicaram-se à ativi­dade agrícola. Os italianos fixaram-se em Santa Catarina (Criciúma, Uruçanga, etc.) e no Rio Grande do Sul (Caxias do Sul, Garibaldi, Bento Gonçalves, etc), dedicando-se inicialmente à agricultura (à cultura da uva no Rio Grande do Sul, por exemplo) e depois à indústria.
Blumenau e sua arquitetura
Arquitetura alemã em Blumenau (SC)
Na segunda metade do século XIX e início do século XX, desta­caram-se as imigrações relacio­nadas com o desenvolvimento da cultura do café no estado de São Paulo, que se caracteriza por ter recebido mais da metade dos imigrantes que chegaram ao país. A coincidência cronológica entre o advento de crises políti­co-econômicas em países da Europa e a preferência pela mão-de-obra estrangeira na cafeicultura em expansão (em detrimento dos trabalhadores negros, que estavam disponí­veis) atraiu imigrantes sobretu­do de origem italiana e, em menor número, portuguesa e espanhola. No início, eles dedicaram-se exclusivamente à lavoura do café, trabalhando como colonos nas fazendas; mais tarde, tiveram significativa participação na atividade industrial, que começou a ganhar importância no início do século XX.
Os sírio-libaneses começaram a chegar no final do século XIX e dirigiram-se sobretudo para São Paulo e para a Amazônia, dedi­cando-se particularmente ao comércio.
Os japoneses, cujo primeiro contingente de imigrantes data de 1908, chegaram em maior número no período de 1925 a 1935, dirigindo-se essencialmente para São Paulo (vale do Ribeira, vale do Paraíba, Alta Paulista e Sorocabana) e para a Amazônia (proximidades da cidade de Belém). Dedicaram-se à atividade agrícola, merecendo destaque a sua participação na implantação da cultura de chá no vale do Ribeira e de pimenta-do-reino no estado do Pará.
O Brasil, desde sua coloniza­ção, foi eminentemente receptor de imigrantes. Entretanto as gra­ves crises econômicas e sociais dos últimos anos motivaram muitos brasileiros a optar pela emigração. Buscando melhores oportunidades de trabalho e con­dições de vida mais satisfatórias, eles têm-se dirigido para diversos países de todos os continentes, mas em maior número para o Canadá, os Estados Unidos, Portugal, França, Espanha e Itália.
O fluxo de entrada de imi­grantes foi drasticamente redu­zido a partir da década de 1930. As causas principais foram a crise econômica resultante da quebra da Bolsa de Valores de Nova York (1929) e a vigência de uma legislação restritiva, criada pelo governo Vargas em 1934 e 1937. Pelas novas normas, só poderiam ingressar anualmente no país até 2% do total de imi­grantes de cada nacionalidade aqui recebidos nos 50 anos anteriores.
Essa redução da imigração estrangeira então deu lugar ao aumento das migrações inter­nas.
Por: Renan Bardine

Movimentos Migratórios

Impulsionados por motivos diver­sos, como a fome, a conquista territorial, a fuga a perseguições políticas e reli­giosas, as crises econômicas, entre outros, os movimentos migratórios têm se realizado ao longo da história de forma contínua.
Cada época marca seu motivo. A verdade é que os movimentos de popu­lação permitiram o povoamento do mundo e significaram a expansão de etnias, línguas, religiões e conhecimento, num emaranhado processo que dá ao mundo atual os traços de grande diversi­dade e riqueza cultural que observamos.
As chamadas Grandes Navegações ou "grandes invasões", por exemplo, foram responsáveis pela colonização do continente americano a partir do século XVI; e significaram a difusão da cultura dos europeus, a qual entrou em choque com as culturas das comunidades indí­genas que já habitavam o território.
Esse deslocamento populacional foi estimulado pelo expansionismo territorial das potências europeias da época, que buscavam fontes de matérias-pri­mas e novos mercados para seus pro­dutos, portanto, tinha motivação geopolítica e econômica. Essa migração aumentou maciçamente no século XIX e começo do XX.
Paralelamente, perseguições políti­cas e religiosas, guerras e crises econô­micas foram responsáveis por grandes deslocamentos humanos da Europa e Ásia para as Américas. Outras partes do mundo sofreram estimulação migrató­ria mais localizada, como é o caso da Austrália e Nova Zelândia, onde a pers­pectiva de melhoria de condições de vida, com a possibilidade de mobilida­de social (ascensão econômica), incen­tivou especialmente parte da popula­ção da Grã-Bretanha a emigrar.
Movimentos migratórios do século XVI ao início do século XX


Causas das migrações atuais

Os movimentos migratórios atuais rela­cionam-se, principalmente, a duas causas:
• A busca por melhores condições de vida - caracteriza os deslocamentos populacionais provocados pela miséria que se concentra em algumas partes do mundo. Por­tanto, têm caráter econômico, constituindo fluxos ou correntes migratórias de países pobres para países ricos. Exemplos: pós-década de 60 (século XX), da Europa Mediterrânea para a Euro­pa Ocidental; na atualidade, do norte da África para países europeus, de regiões da América Latina para os EUA e Canadá, do extremo oriente para as Américas. Essas migrações são vistas como o efeito colateral mais perverso da globalização.
• A fuga de regiões em conflito - trata-se de migrações provocadas por guerras locais, portanto, têm motivação político-bélica, constituindo um verdadeiro êxodo para os países que recebem os refugiados. Esses deslocamentos ocorrem por uma questão de sobrevivência às perseguições motivadas por conflitos étnicos e às atrocidades cometidas contra as populações ci­vis. Os exemplos mais recentes fo­ram os que ocorreram na Bósnia-Herzegovina e Kosovo.
• Mas é no continente africano que se desencadeia a maior quantida­de de movimentos migratórios: são legiões de refugiados vagando pelo espaço local, à procura de abrigo, fugindo de guerras tribais, instabilidades políticas, questões raciais e religiosas e golpes mili­tares.  


Áreas de repulsão e atração

Hoje, no mundo, podemos identi­ficar algumas áreas com característi­cas de repulsão (países emissores) e de atração (países receptores) no espaço terrestre, que levam milhares de pessoas a se deslocar.

Como áreas de repulsão, podemos identificar:

a) América Latina (México, Amé­rica Central e América do Sul) - com seus históricos problemas de desequilíbrio econômico, provocados por endivida­mentos e mau gerenciamento do dinheiro público, gerando enormes bolsões de pobreza.
b) África - onde, além da pobreza crônica da população, ocorrem conflitos raciais de extrema vio­lência dentro dos países arti­ficialmente criados pelos colo­nizadores europeus.
c) Ásia - o continente que concentra o maior contingente absoluto de pobres do mundo onde as estruturas sociais são pro­fundamente injustas, muitas vezes exacerbadas pelos siste­mas de castas e pelo comportamento religioso.
d) Leste Europeu - onde o fim do socialismo gerou enorme desor­ganização econômica, com a eli­minação de empregos e benefí­cios estatais, expondo diferenças antes controladas pela ideologia política comum, provocando con­flitos étnicos e religiosos.
O desenvolvimento do capitalis­mo internacional concentrou, parti­cularmente, a riqueza em algumas regiões do globo, atraindo as popula­ções empobrecidas que têm grande desejo de participar dos benefícios decorrentes desse poder.

Como exemplos dessas áreas de atração, podemos identificar:

a) América Anglo-Saxônica - os EUA e, em menor escala, o Ca­nadá, com suas ricas econo­mias, são atrativos para as po­pulações latino-americanas, principalmente mexicanos e centro-americanos que veem na poderosa nação (EUA) a solução para seus problemas. Veja mais em Imigração Ilegal ao EUA.
b) Europa Ocidental - essa região concentra as principais econo­mias do continente: Alemanha, França, Itália e Reino Unido, além da Holanda, Suécia e Suí­ça. A Europa é circundada por várias regiões com economias problemáticas, como a África, Oriente Médio, Europa Oriental e, mais distante, o Sul e Sudeste Asiático.
Quando, nos anos 60 (século XX), os países acima citados começaram a apresentar um desenvolvimento mais ace­lerado, libertando-se dos pro­blemas gerados pela Segunda Guerra Mundial, teve início a imigração. Em princípio, ela ocorreu na própria Europa (migração intracontinental), dos países mais pobres, como Por­tugal, Irlanda, Grécia, Espanha, e Turquia em direção aos países centrais. Mais tarde, também começaram a chegar os imi­grantes de outros continentes (migração intercontinental'), os quais eram bem-vindos à medi­da que forneciam mão-de-obra barata, substituindo os traba­lhadores locais em serviços ge­ralmente braçais. O mais típico exemplo foram os turcos mi­grando principalmente para a então Alemanha Ocidental.
En­tretanto, as crises econômicas e as transformações na estrutura de trabalho, com a automação, reduziram os empregos. Surgi­ram, então, as sombras da xe­nofobia. A situação ficou pior com o fim do sistema socialista e o surgimento de grupos euro­peus orientais desempregados e empobrecidos. A partir daí, o imigrante estrangeiro passou a ser visto como um intruso ou concorrente indesejado, levan­do muitos países a adotar me­didas restritivas.
c) Japão - relativamente recentes nos processos migratórios, os países começaram a se tornar um polo de atração a partir de seu acelerado crescimento econômi­co dos anos 70. Inici­almente os imigrantes provi­nham das cercanias de China, Taiwan e Coréia do Sul. O enve­lhecimento precoce da popula­ção, entretanto, serviu de maior atrativo, levando a um aumento da imigração, com destaque para o brasileiro, (dekassegui), trabalhador não-qualificado, aproveitado para as tarefas bra­çais. Milhares de famílias brasi­leiras mudaram para o Japão em busca de dólares. 
Por: Renan Bardine

Movimentos Migratórios - Questões

Questões:

01. Escolha as alternativas corretas e que justificam a diminuição acentuada na imigração do Brasil a partir da década de 1930.

(0) A crise da Bolsa de Valores de Nova York e a conseqüente crise econômica do Brasil.
(1) As medidas constitucionais de 1934 e 1937 regulamentando e restringindo a imigração.
(2) A cota dos 2%, medida segundo a qual a partir de 1934 só poderia entrar no Brasil 2% do total de imigrantes de cada nacionalidade entrados nos últimos 50 anos.
(3) Dificuldades impostas pelos países de emigração para evitar a saída de indivíduos.
(4) A Lei Eusébio de Queiroz, proibindo o tráfico de escravos.


02. Sobre a imigração alemã (1850 – 1870) não é certo afirmarmos:

a) Radicou-se principalmente em Santa Catarina, no Vale do Itajaí e no Rio Grande do Sul, no Vale do Jacuí e Vale dos Sinos.

b) Praticaram a policultura, introduziram no país os minifúndios, ou pequenas propriedades.

c) São Leopoldo (RS), Novo Hamburgo (RS), Itajaí (SC), Brusque (SC), Joinville (SC), Colatina (ES) e Santo Amaro (SP) são localidades em que se fixaram um grande número de alemães.

d) Integrou-se facilmente na comunidade brasileira, especialmente nos estados sulinos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

e) Influenciaram a alimentação, as construções e costumes, notadamente em Santa Catarina.


03. (MED. ABC) “Muitos colonos gaúchos e catarinenses estão ajudando na conquista de uma nova fronteira agrícola: a região de Dourados, responsável por 50% da produção de soja de Mato Grosso do Sul. Rondônia, nossa última fronteira, recebeu, nos últimos três anos, cerca de 200.000 migrantes. Só 10% de sua população economicamente ativa nasceu ali.” (Jornal da Tarde,de 16/5/81)

Identifique, no mapa abaixo, a seta que corresponde à direção do fluxo populacional descrito no texto anterior.

Movimentos migratórios
a) 5
b) 3
c) 3
d) 1
e) 4


04. (UNIFOR) A região que forneceu o maior contingente de colonos-migrantes para a ocupação da fronteira agrícola, no Mato Grosso, Rondônia e Acre, durante os anos 70 e 80, foi a:

a) Norte
b) Nordeste
c) Centro-Oeste
d) Sul
e) Sudeste


05. (UNOPAR) Dos imigrantes que vieram para o Brasil, a maior contribuição populacional populacional foi dada pelos:

a) portugueses e japoneses
b) italianos e alemães
c) alemães e espanhóis
d) japoneses e espanhóis
e) portugueses e italianos


06. (PUC) Entre os fatores que impulsionaram a migração européia para o Brasil entre 1870 - 1930, podemos excluir:

a) o desenvolvimento da cafeicultura;
b) as iniciativas dos fazendeiros de auxiliar colonos;
c) a abolição da escravatura e a conseqüente liberação da mão-de-obra;
d) a unificação política e industrialização tardia da Itália;
e) a Primeira Guerra Mundial.


07. (UFPA) A reduzida entrada de imigrantes no primeiro período pode ser melhor explicada:

a) devido à abundância de mão-de-obra escrava no período;

b) pela suspensão de financiamentos para o imigrante em 1830 e a exigência de que 25% deles se destinassem à agricultura;

c) pelo estabelecimento de cotas de imigração em 2%, segundo a nacionalidade, a partir de 1910;

d) pela tropicalidade do país;

e) devido à estabilidade política da Europa, que estimulava a fixação do homem ao solo europeu, pois este não iria se aventurar em novas terras.


08. (FEI) Migrações pendulares são:

a) movimentos ligados a atividades pastoris;
b) movimentos da população rural em direção aos grandes centros urbanos;
c) troca de imigrantes entre as grandes regiões;
d) deslocamento maciço de populações urbanas em direção ao campo;
e) movimentos diários de trabalhadores entre o local de residência e o local de trabalho.


09. (UNIUBE) Na história da imigração para o Brasil, no século XX, há de se destacar a Lei de Cotas, de 1934. Por essa lei, só poderiam ingressar, anualmente, até 2% do total de imigrantes de uma mesma nacionalidade já estabelecidos no país nos 50 anos anteriores. Com isso, o Governo Federal visava a diminuir a importância política da mão-de-obra operária de origem:

a) italiana
b) portuguesa
c) japonesa
d) sírio-libanesa
e) coreana


10. (UNIUBE) Na segunda metade do século XIX, o Brasil recebeu um grande contingente imigratório. Um dos grupos de imigrantes se destaca por ter participado da fundação de várias cidades, tais como: Blumenau, Joinville, São Leopoldo e Novo Hamburgo. O texto refere-se aos imigrantes:

a) italianos
b) franceses
c) alemães
d) espanhóis
e) portugueses

Resolução:

01. 0-V;1-V; 2-V; 3-V; 4-V
02. D03. A04. D05. E
06. E07. A08. E09. A
10. C